artigos - 16/05/2023

Retenção de Talentos e cortes geracionais

Débora Bobra Arakaki

A falta de mão de obra e a retenção de talentos ainda são temas de grande relevância no mundo, principalmente em países mais desenvolvidos, onde a taxa de desemprego tende a ser muito baixa e a busca por talentos acirrada.

A busca constante por profissionais de talento está relacionada com o fato deles serem peças fundamentais para garantir o sucesso da empresa, além de constituírem um pré-requisito para garantir o melhor atendimento aos seus clientes e expandir os negócios corporativos.

Hoje em dia a disputa por talentos é um grande desafio no mundo atual. Muitas vezes, a busca por profissionais capacitados que possam desenvolver atividades em um horizonte de longo prazo nas organizações adquire maior relevância no mercado do que a busca por número de clientes.

Além disso, no que tange ao tema ‘retenção de talentos’ o desafio maior é saber lidar com as diferentes gerações no mesmo ambiente de trabalho. Esse é nosso assunto em pauta!

Alguns estudos apontam que o choque entre as diversas cortes geracionais no ambiente de trabalho implica num fator desafiador para assegurar o alinhamento entre os profissionais devido às diferenças de valores/ideias de cada grupo.

Dentre as gerações, a nova Geração Z tem características peculiares e que precisam ser bem interpretadas no ambiente corporativo, tais como: prezam por atividades que estejam alinhadas aos seus propósitos pessoais, querem ter autonomia para definir o caminho de suas tarefas e são considerados nativos digitais, pois utilizam a tecnologia como meio para realizar o trabalho.

Já os denominados de Baby Boomers os profissionais que tiveram o seu crescimento no período do pós-guerra, trouxeram consigo um forte apego de conquista e segurança, caracterizados pelo otimismo em um ambiente de prosperidade, supervalorização do trabalho e apreço pelo recurso financeiro como principal valor.

Sob outro aspecto enfoque a Geração X, vivenciou um ambiente complexo no seu crescimento, demarcado por uma época de crises financeiras e concorrência de empregos com a geração anterior, o que fomentou um estereótipo de egoísmo e orientação à execução de tarefas e mais, essa geração vivenciou um cenário familiar de divórcios entre os pais e situações de incertezas econômicas que levaram a diversas perdas de emprego, por isso tem mais senso maior de independência, sabem valorizar a autodireção e por consequência tornam-se propensos para a mudança de empregos.

Diferentemente das gerações anteriores, a Geração X foi a primeira a ter contato com o computador e a sua aprendizagem da informática se deu de forma autônoma, por tentativa e erro. Por influência dos Baby Boomers, a Geração X se tornou independente e se adaptou no ambiente corporativo, evidenciando as relações formais de hierarquia. Essa geração trouxe consigo o conceito de equilíbrio entre o trabalho e o tempo livre com a família, valorizando também a flexibilidade e a autonomia no ambiente corporativo.

Sob outro aspecto a Geração Y, também conhecida como Millennials, dentre suas características estão a valorização do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, do trabalho que oferece desenvolvimento profissional e de atitudes socialmente responsáveis, valorizam a liberdade e têm o propósito como o maior motivador para as suas ações. Outra característica marcante dos Millennials é que eles foram os primeiros a terem contato com o computador logo no início das suas vidas, usufruindo desse recurso durante a sua formação educacional, trazendo o conceito da tecnologia como um pilar das suas interações no ambiente organizacional.

Difícil entender a equação para que a empresa consiga, reter talentos, num mundo tão dinâmico, sem impactar, em última análise na prestação de serviço/resultado final do negócio proporcionando ademais clima organizacional.

As técnicas de gestão de do passado, ficadas na motivação grupal, não são mais adequadas para gerir a Geração Y, uma vez que os seus expoentes são sujeitos individualistas que prezam por uma gestão voltada para cada indivíduo e demandam feedbacks alinhados aos anseios individuais e um apoio específico para alavancar a criatividade.

A Geração Z exibe um novo modelo de se comunicar que preza pelos recursos tecnológicos ao invés das interações físicas e presenciais; o revés da moeda é que notadamente são indivíduos com grandes características de isolamento social, e podem, por vezes, apresentar sinais de baixa confiança, depressão e ansiedade.

Dessa forma, no ambiente de trabalho moderno, exige que haja uma grande figura facilitadora que apoiado em estratégias de comunicação e trabalho em equipe possa realizar feedbacks constantes aos demais membros do time, e concluindo, é fundamental compreender as diferenças de valores e características de cada geração, criando um plano de sucessão entre os profissionais, possibilitando a integração cada vez maior entre eles e agregando valor na estratégia da organização.



Dr. Marcelo Mascaro

Advogado do Trabalho, CTO

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