artigos - 27/02/2024

Crescimento nas contratações de profissionais com mais de 50 anos

Débora Bobra Arakaki

Atualmente, com o envelhecimento da população brasileira, e suas implicações sobre os trabalhadores de todas as gerações nas organizações, muitas empresas tem analisado com bons olhos e prestigiado as contratações de profissionais acima de 50 anos.

Desta forma, o mercado de trabalho tem sofrido adequações por diversas razões, inclusive históricas, recrutando profissionais que até ontem, tinham maior restrição com relação ao trabalho com o avanço da idade.

Segundo projeções do IBGE, haverá mais de 66 milhões de pessoas acima de 60 anos em 2050, no Brasil; e um declínio de mais de 36% no número de jovens até 14 anos de idade, que, contará com pouco menos de 32 milhões de crianças.

Isso mostra a necessidade de discussão sobre essa questão nas empresas, possivelmente com o estabelecimento de novas práticas de Gestão de Pessoas e políticas de atração e retenção de pessoas, para a melhoria da qualidade de vida das pessoas acima de 50 anos de idade.

Para se ter uma ideia da importância do debate no país sobre o tema do envelhecimento no mercado de trabalho, em relação à longevidade das pessoas, a População Economicamente Ativa (PEA) ainda é considerada pelo IBGE somente até os 60 anos de idade, o que já é incompatível com a realidade que a sociedade vive hoje.

Quanto à Reforma da Previdência essa foi aprovada em outubro de 2019, com alguns anos de atraso. Contudo, foi um passo importante sobre o tema na sociedade. Em números atuais, a União gasta 52% do seu orçamento com a Previdência, segundo o Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER).

Sabe-se que o Brasil ainda é considerado um país jovem, mas que envelhece rapidamente e segundo o Instituto Insper, o envelhecimento rápido da população é explicado pelo aumento da expectativa de vida, mormente entre as pessoas mais velhas, ou seja, as pessoas tem vivido mais!

O sistema previdenciário faz com que a População Economicamente Ativa (PEA) pague para que os aposentados possam receber suas pensões.

No Brasil foi feita uma pesquisa sobre diversidade etária e inclusão, mas os resultados ainda são modestos, já que apenas 9% do total de funcionários das empresas pesquisadas tem mais de 50 anos, e apenas 3% tem acima de 55 anos, mas a tendência é de crescimento.

De qualquer forma, essa pesquisa demonstra a importância do tema para as empresas brasileiras, e foi um primeiro passo para a inclusão definitiva da diversidade etária nas pesquisas que falam de diversidade de forma geral nas empresas.

Fato é que, os temas envelhecimento, diversidade etária e ageísmo/etarismo têm sido pauta cada vez mais frequente no mundo corporativo e com isso algumas empresas têm sido mobilizadas para o planejamento estratégico e implementando políticas e procedimentos compatíveis com o inevitável envelhecimento populacional nos próximos anos no Brasil.

Ou seja, em apertada síntese, o envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, e como tal deve ser analisado pelas empresas e pela sociedade.

Entre as competência e habilidades prestigiadas no profissional acima de 50 anos temos: (i) lealdade e estabilidade; (ii) habilidade e experiência para tomada de decisão/profissionalismo; (iii) equilíbrio emocional; e (iv) capacidade cognitiva e habilidades de liderança e comunicação.

Atualmente, como o tema diversidade tem tido cada vez mais prestígio nas pautas corporativas, a inclusão social das pessoas mais velhas é fundamental para a longevidade sustentável e para a responsabilidade social das empresas.

Esses temas impactam as empresas, as pessoas e toda a sociedade. Em algum momento de sua existência, as empresas dependerão dos trabalhadores mais velhos para se manterem competitivas. Para que isso seja feito de forma a não impactar seus resultados de longo prazo, é necessário combater o ageísmo/etarismo, seus mitos e estereótipos dentro das organizações, com políticas e processos internos que levem em conta as práticas de gestão de pessoas mais velhas e o relacionamento com as demais gerações.

É inevitável, por todo argumento trazido, que as empresas incluam pessoas mais velhas em seus quadros de colaboradores, sejam eles funcionários, consultores, terceirizados e/ou autônomos, aumentando assim a idade média das pessoas dentro das empresas, ao longo dos próximos anos, com a convivência de pelo menos 5 gerações dentro do ambiente de trabalho.

Neste esteio, também nos parece inevitável que as pessoas acima de 50, 60 ou 70 anos continuem trabalhando nas empresas ou por conta própria, seja por necessidade, seja por vontade, seja por um propósito, pois viverão até os 80, 90 ou 100 anos de idade.

Concluindo, essa é a tendência demográfica e do mercado de trabalho no Brasil e no mundo, e desta forma, precisamos nos conscientizar disso e colaborar para a conscientização de todos para a inclusão dos profissionais seniores no mercado.



Dr. Marcelo Mascaro

Advogado do Trabalho, CTO

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