artigos - 15/07/2021

Os 4 sinais de machismo mais frequentes no ambiente de trabalho

Os 4 sinais de machismo mais frequentes no ambiente de trabalho

 

Quase oito anos depois de Barack Obama assumir a presidência dos Estados Unidos, suas assistentes mulheres decidiram acabar com duas práticas comuns na Casa Branca: a constante interrupção de suas falas e a falta de atenção às suas ideias.
Juntas, elas criaram uma estratégia de “amplificação” de vozes: quando uma mulher está falando, as outras ficam atentas para que nenhum homem as interrompa ou proponha ideias já levantadas anteriormente.
O resultado não poderia ser melhor. Além de as mulheres da equipe de Obama conquistarem seu espaço merecido, a iniciativa se espalhou pelas empresas americanas e, aos poucos, ajudou a conscientizar as pessoas sobre o machismo no ambiente corporativo.
No Brasil, o cenário ainda é diferente: as práticas machistas dentro de uma empresa são recorrentes e naturalizadas.
Para Itali Collini, co-fundadora e diretora do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Raça da USP (Universidade de São Paulo), as brasileiras sofrem diariamente com o sexismo no trabalho, mas não discutem o tema – e, na maioria das vezes, sequer reconhecem o que vivem.
“É importante lembrar que o machismo está, principalmente, nos pequenos atos. Ele é sutil, passa despercebido e é constante. Por isso é necessário conversar sobre o tema e conscientizar tanto homens quanto mulheres”, explica.
Na mesma linha, Jorgete Lemos, diretora de diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), aponta para um problema estrutural e histórico da sociedade. “As mulheres foram criadas em uma sociedade machista e, por isso, reproduzem muitos aspectos dela. Para acabar com isso, é preciso desconstruir ensinamentos e não mais abaixar a cabeça”, orienta.
A dúvida, que permanece no universo feminino, entretanto, é como identificar e combater essas práticas.
Uma dica importante para enfrentar atitudes machistas do dia a dia, inclusive quando se transformam em assédio moral e sexual, é reportar essas questões ao setor de Recursos Humanos da empresa.
Para Jorgete Lemos, apesar de o RH aprender aos poucos a importância de seu papel para combater o preconceito, quanto mais o assunto for discutido, mais seguro o ambiente de trabalho ficará para as mulheres.
“O tema precisa conquistar seu devido espaço. É necessário conversar individualmente com os colaboradores das empresas, promover políticas inclusivas e desconstruir antigas ideias sobre homens e mulheres”, conclui.
Outro conselho, dado pela advogada trabalhista Vivian Dias, é sempre que possível ter provas. “Um vídeo, um áudio ou uma testemunha fazem toda a diferença na hora de questionar as atitudes”.
A advogada ressalta ainda que mesmo denúncias quanto a atitudes pontuais precisam ser feitas, já que o empregador não toma conhecimento de muitas situações.
Veja a seguir 4 sinais de machismo muito comuns nas empresas, de acordo com especialistas consultadas por EXAME.com, e aprenda a combatê-las:
1 – Interrupção de fala ou “manterrupting”
Durante as reuniões empresariais é comum que os homens falem mais e interrompam desnecessariamente as mulheres com mais frequência, aponta um estudo da pesquisadora Adrienne Hancock, da Universidade George Washington.
Em ocasiões assim, Collini orienta que a mulher explique que ainda não concluiu sua linha de raciocínio, continue expondo suas ideias e mantenha uma postura afirmativa.
2 – Receber explicações óbvias ou “mansplaining”
Ficar horas ouvindo explicações sobre um tema que você domina é uma situação comum para as mulheres. Com explicações óbvias e “didáticas”, os homens muitas vezes tiram a chance de elas falarem.
A mulher deve esclarecer que conhece bem o assunto em questão, afirma Collini. Se for especialista naquele tema, é importante dizer que fez estudos e sabe bem do que está falando.
3 – Ter ideias roubadas
Outra prática comum no ambiente de trabalho é quando a mulher propõe uma ideia e ninguém lhe dá a devida atenção. Quando um homem tem a mesma iniciativa mais tarde, é elogiado e não reconhece que a ideia era originalmente de sua colega.
Um método eficaz é fazer o que as assistentes de Obama fizeram: estar atenta às situações vividas por cada colega e lembrar os demais quando a ideia inicial foi de uma mulher. Se a sua ideia foi roubada, é possível usar frases como “obrigada por concordar comigo” ou “que bom que você apoia minha ideia”.
4 – Piadas sobre TPM
Quem nunca viu uma atitude mais assertiva das mulheres, dentro ou fora do ambiente de trabalho, ser atribuída à TPM (Tensão Pré-Menstrual)? Segundo Collini, isso é machista e reduz os sentimentos femininos a hormônios.
É preciso deixar claro que aquela reação teve um motivo. Frases como “você prejudicou meu trabalho e meu desempenho, por isso estou reagindo desta forma” são eficientes em situações assim.

 



Dr. Marcelo Mascaro

Advogado do Trabalho, CTO

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