Noticias - 15/07/2021

Se for decretado um “lockdown”, o que acontece com o trabalhador?

Se for decretado um “lockdown”, o que acontece com o trabalhador?

Por Marcelo Mascaro Nascimento, sócio do escritório Mascaro Nascimento Advocacia Trabalhista e diretor do Núcleo Mascaro

O termo “lockdown”, que pode ser traduzido como confinamento, não possui definição na lei. Ele tem sido utilizado para expressar medidas mais severas de isolamento social imposto pelo Poder Público.
 
Essas medidas podem incluir, por exemplo, fechamento compulsório de estabelecimentos e proibição de circulação em vias públicas.
 
Uma vez que não há conceito legal sobre o termo, a abrangência do lockdown é determinada por cada ente que o adotar.
 
Nesse sentido, municípios e estados terão suas regras próprias, não sendo possível fazer uma avaliação geral sobre as consequências para as empresas e trabalhadores com o lockdown, pois cada caso terá suas especificidades.
 
Contudo, apesar da falta de uniformidade das medidas empregadas pelo Poder Público, é comum observarmos o fechamento compulsório de estabelecimentos comerciais e industriais e a proibição de certas atividades econômicas de forma presencial.
 
Em geral, essas medidas buscam evitar o contato entre pessoas e não o exercício da atividade econômica em si, de modo que o trabalho no domicílio do empregado, quando possível, estaria autorizado.
 
Caso, porém, não seja possível o trabalho em domicílio e a empresa seja impedida de manter sua atividade durante o lockdown, em princípio, o empregado não comparecerá ao trabalho e continuará a receber seu salário normalmente.
 
Há a possibilidade, entretanto, de a empresa celebrar acordo com o trabalhador para suspender o contrato de trabalho por até 60 dias, período no qual não receberá o salário.
 
Para os empregados que tenham salário de até R$ 3.135,00 e para aqueles que tenham diploma de curso superior e recebam R$ 12.202,12 ou mais, a suspensão pode ocorrer por acordo individual entre a empresa e o trabalhador.
 
Para os demais empregados, ela somente é possível com a participação do sindicato.
 
Ainda, como terceira hipótese, se a empresa não desejar manter o contrato de trabalho e não for celebrado acordo para a sua suspensão, esta pode optar pela dispensa do trabalhador sem justa causa, com o pagamento das verbas rescisórias devidas.
 

Fonte: Exame.com, 28/05/2020


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