O dilema entre diversidade e segurança no futebol

Direito Desportivo
O dilema entre diversidade e segurança no futebol

Jean Nicolau

A pressão exercida pelos presidentes de Grêmio e Internacional surtiu efeito, e o Gre-Nal 397 não foi o primeiro de sua centenária história a ser disputado com torcida única. Os colorados estiveram, no entanto, bem pouco representados no domingo, 4 de agosto, dia do primeiro clássico da Arena Grêmio.

Um acordo de última hora fechado com a Polícia Militar gaúcha autorizou a presença de apenas 1.500 torcedores do Internacional para acompanhar no estádio do rival o jogo válido pela 11ª rodada do Brasileiro.

Uma pequena vitória do pluralismo no futebol, já que inicialmente o comando da PM pleiteara jogo com torcida única.

Conquista insuficiente, contudo, para fazer valer as regra do jogo.

O Regulamento Geral das Competições (RGC) da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) garante ao clube visitante o direito de adquirir a quantidade de ingressos correspondente a 10% da capacidade máxima do estádio (art. 86) – no caso em questão, o equivalente a 6.000 lugares. Mas os fãs do Colorado ocuparam somente 2,5% das dependências da Arena Grêmio.

O episódio foge à regra. Por uma vez, a norma esportiva foi descumprida não por razões políticas, mas por uma questão técnica: as forças de ordem julgaram-se incapazes de garantir a segurança de um maior número de colorados.

Em tempo: se é verdade que o esquema necessário para assegurar a integridade dos envolvidos pode ensejar custos dificilmente justificáveis à sociedade, também é certo que o episódio explicita a falência do atual modelo.

É hora de buscar alternativas. Ou de incorporar às regras esportivas a impopular possibilidade de realizar jogos com torcida única.

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